domingo, 28 de junho de 2009

Qualidade na Imprensa e Diploma de Jornalismo - Parte 2

Os empresários querem cortar custos enquanto os jornalistas querem melhores salários. Mas as vendas/ibope estão despencando, o que significa menos lucro. Aumentar os salários neste cenário significa sacrificar a margem de lucro, espantando investidores. Caso sejam declaradas greves, lamento informar, mas existem jovens que estão loucos para ocupar os cargos dos grevistas. Qual o cenário mais provável? Os donos dos meios de comunicação devem enxugar mais ainda suas redações, mantendo apenas os jornalistas realmente indispensáveis à sua marca. Aos jornalistas, cabe dar seus pulinhos, pois a única solução para a “crise” seria uma retomada das vendas/ibope, garantindo dinheiro suficiente para a contratação de um largo contingente de funcionários. Mas continua a sangria de leitores aberta pela internet. E a ferida não deve sarar.

Adaptando-se ao jornalismo on-line, os jornalistas devem esperar salários ainda mais baixos. O preço da informação caiu drasticamente com o advento da internet. Notícias apontadas pelo próprio público, ao invés de uma rede de informantes; tendências detectadas através de comunidades virtuais e não por meio de pesquisas presenciais; tudo isso contribuiu para uma overdose de informações que nos deixa atônitos. E é muito mais barato fazer jornalismo pela web. Uma redação com trinta computadores e uma pequena equipe de TI é muito mais barata que pagar gráfica, distribuidoras e representantes locais (no caso de jornais nacionais).

O que resta ao candidato a jornalista é investir em diferenciação e adaptação aos novos tempos. A internet irá requerer, além do conhecimento já consolidado, uma gama de habilidades totalmente distintas das ensinadas atualmente nas universidades. Tomei conhecimento de algumas delas através do Carlos Castilho, no seu blog Código Aberto. Entre as habilidades estão a capacidade de liderar comunidades de informação, capacidade de lidar com filtros de notícias, lidar todas as ferramentas de postagem da web (blogs, fotologs, podcasts, videologs) e outras. Para mais informações, visite os textos do Castilho: sobre o futuro da classe jornalista aqui e, sobre novos modelos de jornalismo, aqui e aqui.

Percebe-se que um ator vai reinar nos próximos tempos do jornalismo: a escola de Comunicação Social. A qualidade do conjunto teórico e as habilidades aprendidas vão determinar a colocação dos formados no mercado de trabalho e vão definir aquilo que estamos discutindo desde o início de nossa conversa: a qualidade da imprensa brasileira.

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